Por que o ex-CEO do PayPal (e agora na Valor Capital) teme a inteligência artificial

SUNNYVALE – Depois de mais de nove anos no comando do PayPal, o americano Dan Schulman foi anunciado na última segunda-feira, 8 de abril, como o novo managing partner da Valor Capital, gestora criada em 2011 que tem em seu portfólio startups como CloudWalk, Wellhub (antiga Gympass), Loft, Sami, entre outras.

No anúncio feito pela gestora na segunda-feira, Scott Sobel, fundador da gestora, afirmou que o novo managing partner vai dedicar dois a três dias por semana à função e ficará alocado em Palo Alto. Ele terá como missão alavancar novos negócios da empresa e trabalhar ao lado dos fundadores de startups que já estão no portfólio.

Ao buscar novos investimentos para a gestora, Schulman terá pela frente uma leva de startups que usam (e, por vezes, abusam) do termo inteligência artificial em seus modelos de negócios. A tecnologia, porém, gera certo receio no agora investidor de venture capital.

Entrevistado durante um painel no Brazil at Silicon Valley, evento realizado em Sunnyvale, na Califórnia, Schulman fugiu do típico discurso otimista sobre a inteligência artificial e citou alguns problemas que serão causados pelo avanço da tecnologia.

“O desemprego vai aumentar drasticamente”, afirmou o novo managing partner da Valor Capital. Segundo ele, ainda que novos empregos serão criados, haverá uma distância de tempo entre as profissões que serão extintas e os novos trabalhos que surgirão. “Essa atualização do conjunto de habilidades será feita em algum momento.”

Schulman diz que a onda de demissões vai ocorrer porque as companhias vão precisar fazer isso para se tornarem mais eficientes e operarem com um custo menor. “As companhias vão reduzir entre 15% e 35% o custo da estrutura nos próximos três anos”, disse. “Você terá menos pessoas e que irão produzir mais.”

O descasamento entre as demissões e a criação de novas profissões gera um problema de escala nacional. No longo prazo, Schulman aponta que o desemprego pode fazer com que os governos precisem controlar o câmbio e a taxa de juros e deixar os cidadãos mais insatisfeitos com seus governos.

Para além das demissões, Schulman citou o fator de segurança digital como outro ponto de alerta. “Hoje há dois tipos de empresas: aquelas que foram hackeadas e aquelas que não sabem que foram”, disse.

Ele citou os avanços em deep fakes como um problema a ser enfrentado pelas companhias, principalmente do setor financeiro. “A indústria está massivamente preocupada com a aceleração dessas tecnologias”, afirmou. “Todo mundo tem clipe de voz em algum lugar na internet e leva apenas 15 segundos para que alguém consiga imitar aquela voz.”

Schulman prevê que a inteligência artificial deverá avançar de forma acelerada em 2024 e que novos modelos deverão ser criados até o fim do ano. “As pessoas vão precisar se acostumar em relação ao quão avançados esses sistemas serão”, afirmou. “Estamos na beira de uma revolução tecnológica.”

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